Tempo
Marcos detestava trabalhar em dias frios. Ele sabia que entregar pizzas hoje não seria fácil. Olhou o grande, antigo e quase quebrado relógio da garagem da pizzaria e notou que o ponteiro dos segundo acabara de chegar ao doze indicando que faltavam apenas vinte e três minutos para a rotina começar.
A primeira encomenda estava sendo preparada. Marcos, que pensava no quanto adoraria estar com sua filha no dia do aniversario, preparava-se para começar as entregas. Programou seu relógio de pulso digital barato para tocar após quinze minutos, tempo que teria para entregar a pizza e ganhar um dinheirinho extra, colocou o capacete e partiu.
O frio parecia cortar cada centímetro da sua pele. E ter que olhar o tempo que restava a cada instante, tornava o andar de moto ainda mais difícil. Faltavam cinco minutos, Marcos acelerou para poder ganhar dos segundos que pareciam correr mais rápido a cada acelerada. Apressado olhou o relógio sem perceber o carro que vinha na sua direção.
A policia chegou um tempo depois para encontrar o corpo pálido, frio e amedrontador de marcos esticado na rua obscura e fria. Pedaços da moto podiam ser encontrados por tudo quanto era lugar, o sangue tinha uma aparência tétrica devido à falta de luz. Ele estava morto. A quantidade de pessoas querendo saber o que tinha acontecido era imensa, mas não por causa do acidente e sim pelo barulho alto, irritante e agudo vindo do corpo, era o alarme. O tempo tinha acabado.
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