Mutila(DOR)
O gosto de morte misturava-se com a saliva, diluindo a dor do que iria praticar. Conseguia cheirar o sangue sem ele, sequer, ter saído das veias. A sensação de querer matar não lhe era alheia.
Enquanto - com as mãos - entrava no estomago do menino de cabelos louros e onze anos de inocência, olhava fixamente aqueles olhos azuis, sem vida, que alguma vez imploraram por ajuda.
Cada um de seus movimentos implicava no sofrimento de saber que do controle, ele já tinha aberto mão há muito tempo.
O canivete cortava a pele - agora fria - do menino, congelando em algumas partes do interior, como demandando que tudo terminasse. Mutilou primeiro, o dedo médio das mãos, guardou-os. Cortou-lhe o sexo e esfaqueou o corpo já morto, levantou-se e saiu daquele lugar desejando poder repetir o acontecido uma e outra vez.
Ele o encontrara há dois meses atrás em um parquinho perto do seu apartamento. Naquela época, ele morava em um conjunto de edifícios pouco cotados, de pintura descascada, ambientes pequenos e sufocantes, reprimia as dores de seu trabalho fracassado, abusando crianças.
Adorava os olhos cheios de medo do infante. Primeiro o seduziu com jogos, filmes… Logo se tornou um “amigo”, uma saída a todos os problemas que o menino tinha em casa. Ele sempre estava pronto para ajudar. Depois de um tempo a amizade tornou-se obsessão, e logo quando a ligação de confiança foi estabelecida, ele o violentou. Batia ate o menino ceder às suas vontades. Tocava nas partes intimas do garoto freneticamente.
Agora que o tinha assassinado, sentia a urgência de procurar mais um menino com o qual “brincar”.
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