Alberto Lung

CarneMarcada

Sempre que ficava nervoso começava a apertar cada parte do rosto até ficar vermelho.

Hoje estava de rosto e pescoço cor “carne crua”. O shopping estava cheio, mesmo assim se sentia solitário. Faltavam quarenta e sete minutos para o filme começar. Sentado tomando um café notava as pessoas rirem daquele seu rosto vermelho. Levava a mão até a cara e se apertava um pouco mais. Pensava, constantemente, em formas de deixar o rosto daquelas pessoas vermelho. O celular vibrou avisando que faltava pouco tempo para o filme, quiçá a sala de cinema fosse mais confortável. O vermelho não e tão forte no escuro.

Acomodou-se na poltrona, ninguém dos lados, ainda bem! Respirou. Viu no chão o que parecia ser uma moeda, abaixou-se, e quando voltou triunfal, o rosto que antes era vermelho, tornou-se transparente. Não há formas de descrever o que o menino sentiu ao ver aquela pessoa. Duas poltronas à frente – agora – estava o produto de noites de imaginação, estava cada uma das fotos guardadas materializada, estava, em fim, o objeto de desejo. O filme começou, mas longe, estava da tela, o pensamento.

Longas foram as duas horas de filme – não visto –, cada segundo foi dedicado a vigiar todo movimento daquele corpo divino. As portas de saída foram lentamente abertas, ele sabia que seu momento de brasa estava por acabar. Saiu, correu a casa, e frente ao espelho viu as marcas da relação que acabara de “ter”, sua face tinha deixado a cor escarlate e vestido um tom roxo.

Puedo ponerme cursi y decir que tus labios

me saben igual que los labios que beso en mis sueños,

puedo ponerme triste y decir que me basta

con ser tu enemigo, tu todo, tu esclavo, tu fiebre tu dueño

y si quieres también puedo ser tu estación y tu tren,

tu mal y tu bien, tu pan y tu vino, tu pecado tu Dios tu asesino,

o tal vez esa sombra que se tumba a tu lado en la alfombra

a la orilla de la chimenea a esperar que suba la marea.

Puedo ponerme humilde y decir que no soy el mejor

que me falta algo para atarte a mi cama,

puedo ponerme digno y decir toma mi dirección

cuando te hartes de amores baratos, de un rato me llamas

y si quieres también puedo ser tu trapecio y tu red,

tu adiós y tu ven, tu manta y tu frío, tu resaca, tu lunes, tu hastío,

o tal vez esa sombra que se tumba a tu lado en la alfombra

a la orilla de la chimenea a esperar que suba la marea.

O tal vez ese viento que te arranca del aburrimiento

y te deja abrazada a una duda, en mitad de la calle y desnuda.

O tal vez esa sombra que se tumba a tu lado en la alfombra

a la orilla de la chimenea a esperar…

La Orilla de la Chimenea - Joaquín Sabina


3 Comments

conheço alguem q vive um amor platonico desta maneira aih como no cinema…eh tão ruim…e as vezes eu fico assim tbem, soh de longe…

ah, brigadim pelo comment no meu post do Garfo.

bjs

Posted by AnaCrônica on 6 Junho 2007 @ 10am

congratulasao! hah. es asì?

me gustò el cafè
y las parejas lìneas de letras.
salud

Posted by Micaela Pèrez on 6 Junho 2007 @ 9pm

Nossa, muito bom!
xD
demais beto.
beijos

Posted by Camila on 6 Junho 2007 @ 10pm

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