En Un Café – Fito Paez
Meu estomago fervilha, maldita gastrite?! – as doses de Esomeprazol aumentarão paulatinamente, 10, 20 e finalmente 40 miligramas, cada uma delas desperdiçada. Os remédios não deixaram de fazer efeito, nunca o fizeram. A sensação de queimação é de alguma forma satisfatória, é o momento em que o corpo sofre junto com os pensamentos, o tempo em que todo o ódio é transferido ao aparelho digestivo. O instante em que a dor física torna-se prazerosa, e da forma mais cruel possível lentamente risca as finas paredes de um estômago que decidiu se revoltar.
Estou cansado de que me chamem de utópico, isso já sei!. Será que ninguém percebe que o prazer maior esta no sofrer?
Procuro todos os dias me apaixonar por, pelo menos, uma pessoa mais. Escolho estas paixões a dedo, tendo certeza que a eleição seja o mais utópica possível. Tudo isto para tentar te esquecer, esquecer você que também nunca saiu do meu platonismo. Arriscar encontrar alguém que me faça contorcer ainda mais, só para poder deixar de lado todas as nossas(minhas) lembranças dos encontros românticos que (não)tivemos. Maldita dualidade, que às vezes mistura-se em uma realidade que se expressa na sua forma mais física no interior da barriga. dor que procuro reforçar todos os dias para lembrar-me que estou sentado sozinho na mesa que imaginei algum dia ser nossa.
- oi, queres o de sempre?-
-não- respondi – hoje quero algo que provoque azia, por favor, um café! –
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