O dia passava lento, havia em todo um pequeno deixo de solidão, estava rodeado de pensamentos. Seria aquele o lugar em que aceitaria que o meu amor era impossível?
Havia um pequeno inverno no verão, eu o festejava. Procurei aproveitar cada rafaga de ar que – sabia – me fariam falta no restante da estação. Cada vez que respirava o ar, agora frio, sentia um pequeno alivio, descanso que tornava-se fútil a cada olhar ao infinito. Era lá que teu rosto aparecia para me perturbar, e com ele a memória, que tinha se tornado minha inimiga e meu calvário.
O teu olhar, a forma engraçada de cainhar, ate o suor cansado de dias de provas continuas eram lembranças que tinham o efeito de um Rivotril fora da validade, e que agora parecia ser subministrado diariamente, logo antes de dormir. Em nada adiantaram as longas conversas com a consciência, cada uma delas acabou com uma longa briga entre a razão e o estomago – lastimado pela gastrite – onde a única ferida sempre aberta era a percepção da loucura que me fazia te amar.
Eu me lembro de com quinze anos estar sentado em um banco de madeira velha-podre no centro da cidade, estava com fones de ouvido, aparelhos santos que me separavam do mundo das pessoas ao meu redor. Estava frio, escondi as minhas mãos nas mangas do casaco, esquentei com o ar da minha lenta respiração, porem, a fonte de calor – subitamente – acelerou-se e em ou momento ou talvez dois desapareceu. Foram teus cabelos, ao melhor estilo indie, que me fizeram esquecer até de fazer o monótono movimento da respiração.
Não mais do que trinta segundos, tempo necessário para que depois de três anos ainda te lembre, com o amor de todos os platônico. Mas me digam, como explico amar alguém que vi uma dúzia de vezes e que me deu o prazer de algumas palavras tecladas em algumas conversas de messenger?
O frio lentamente me deixou, o verão não havia desistido ainda, estava pronto para lutar de frente comigo e com todos os meus sentimentos de ódio ao calor. Meus sobrinhos brincavam ao som de musicas cantadas por minha irmã, o marido dela ria e corria atrás deles transformado – dentro da imaginação infantil – em um monstro gigantesco e temível. Eu só vejo a crua solidão, esta sim é um monstro - meu monstro - que conseguiu me pegar.








4 Respostas Até agora ↓
1 Laert Yamazaki // Dez 21, 2007 as 5:38 pm
Bonito texto.
Você sabe reproduzir sentimentos em palavras. Eu entendi perfeitamente tudo o que você passou no post. Talvez por ter vivido a mesma coisa. Talvez por saber que todos vivem isso, pelo menos uma vez na vida.
Parabéns. Muito bom.
2 Tieli // Dez 21, 2007 as 6:01 pm
O seu melhor texto, de todos. Amei. Quase chorei… Lembrei de coisas e sentimentos que não gostaria. E tudo o que eu tenho a dizer é que: Rivotril é uma bosta.
auhuhahaahhaah!
Te amo, meu amado amigo Beto, que tanto respeito e admiro!
3 Luiza // Dez 21, 2007 as 6:05 pm
Nossa, muito bonito esse texto e compreensível.
Lindo!
E no melhor estilo indie foi algo hahha
Parabéns
4 Srta. Marinelli // Jan 1, 2008 as 10:15 pm
Prefiro Lexotan ao Rivotril…
A solidão irá permanecer conosco o resto de nossas vidas, e a melhor companhia são os monstros, estes nunca se vão.
Beijo
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