Abrir os olhos tinha deixado de ser o momento do começo para tornar-se o fim, era no inicio de cada dia que encontrava a via-crucis, 14 paradas que consistiam em me levantar dos ataques do pensamento, quedas que procuravam me machucar apenas o suficiente para tornar as dores do corpo com o chão prazerosas.
E o quinto dia que escrevo, e noto em todos os meus diários o tom de uma musica que poderia muito bem fazer parte de um filme de Almodóvar, tristes o suficiente para mostrar minha loucura. Sei a cada ponto e virgula que o que faço é apenas repetir constantemente o quanto sou patético. Quase como comer uma barra inteira de chocolate quando se promete que na segunda-feira começa a dieta.
Já contei sobre a primeira vez que te vi, quem sabe seja tempo de mostrar os momentos em que me fizeste suar de medo-desepero-vergonha-timidez-amor sem você sequer perceber minha presença. Quiçá a escada rolante lembre de quando corri para não ter de passar por teu lado, sentia medo de sentir o perfume – que não sei se existe – e sofrer ainda mais por aquilo que consigo contemplar apenas de longe, beleza intacta.
Lembro do ônibus que decidiu parar no ponto onde você procurava se ocultar do sol. O motorista procurou frear minha cara em sua cara, mas fui eu o único que olhou fixo, a solidão do meu olhar tornou-se vaga ao ser coberta por protótipos de lagrima. Olhei para a frente, respirei e pensei, não vou olhar, nem chorar… não vou olhar, nem chorar… Olhei.
Talvez seja o momento de começar a dieta.
Mas antes, quero mais um chocolate!








8 Respostas Até agora ↓
1 Srta. Marinelli // Jan 12, 2008 as 8:07 pm
O pior é quando a barra de chocolate derrete em nossas mãos e de tão desesperados e gulosos que somos, lambemos os dedos como crianças. Só depois notamos o quão patéticos somos…e realmente somos!
Beijos Albertino.
2 Laert Yamazaki // Jan 12, 2008 as 8:07 pm
Uêba…amor platônico é legal…mais legal ainda é quando ele deixa de ser platônico.
Se joga cara!
3 alberto // Jan 17, 2008 as 12:12 pm
teste!
4 Amanda // Jan 24, 2008 as 11:52 pm
q supresa beto!!
saudades tb!
5 Fernanda // Jan 30, 2008 as 1:14 pm
Imagino que sejas o mesmo que visitou meu blog há alguns dias. Ele estava e sempre está meio abandonado, escrever tem me angustiado. Ou o que escrevo não deve ser publicado.
Mas gostei de visitar o seu. E voltarei mais vezes.
Carinho,
Fernanda.
6 Amanda // Fev 3, 2008 as 4:35 pm
Beto! eu me identifico com oq vc escreve, talvez por passar por coisas parecidas e ser corriqueiro em minha vida amores platonicos….
tenho a mania de sempre q leio algo q vc escreve analisar um pouco a lingua portuguesa… sei q EU tenho diversos erros d grafia, mas tenho essa mania de buscar errinhos, não que eles sejam importantes, contudo acho q vc esta melhorando muito e oq “reaparo” é para que escrevas cada vez melhor.
Acredito que esses textos são bem mais d impulsos emocionais, assim as palavras saem como mágica, tudo parece se encaixar. Olhando racionalmente eu digo: nem sempre para se dizer coisas belas se precisa de palavras rebuscadas, to tipo “tiradas a pinça do dicionario”, sei q não fazes isso, digo tudo isso para chegar no uso de “quiçá” uahuahuaha eu ADORO essa palavra, etretanto não eh feio usar “talvez” ou “quem sabe”… ou fazer um texto cheio da palavras d quem usa da leitura no sua rotina…
Você esta muito bem no purtuguês se quiseres melhorar veja sobre variáveis linguísticas, pontuação e acentuação.
Sei que só nesse recado já tem mais erros q em seu blog todo, não tomei nenhum cuidado gramatical…
Parabéns! continue escrevendo!
beijo!
7 rustymind // Fev 4, 2008 as 9:27 pm
gostei do texto.. me fez lembrar de uma situação em que o doce sabor do chocolate virou algo pior que o “meio-amargo”
8 Fernanda // Fev 12, 2008 as 11:26 am
às vezes, é melhor amar sozinho do que amar a dois e, ainda assim, não ser correspondido.
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